Consultoras para a vida

Vamos refletir sobre esse respeito esquisito que a gente sente pelas coisas que nos rejeitaram. Empresas que fizeram nossos currículos em picadinhos, faculdades que nos reprovaram, pessoas que nos deram foras, vagabas de modo geral. Sou obcecada por todas elas.

Tem um pouco de Groucho Marx nisso: no fim, ninguém quer fazer parte de um clube que o aceite como sócio. Ser aceito é uma coisa que deixa a falta de critérios da instituição muito latente.

Vai ver que é por isso que hoje chamam o casamento de instituição falida. No tempo do noivado arranjado devia ser mais fácil respeitar o bom senso do cônjuge.

Em 2009, quando fui reprovada no trainee da Folha, meu respeito pela empresa atingiu seu grau máximo. Comecei a escrever para o jornal e ficava só esperando o dia em que descobririam que eu era uma fraude. Três anos depois, isso ainda não aconteceu. Resultado: perdeu a moral e hoje me apresento para o trabalho em calças de pijama.

Uso as pessoas que me deram foras como consultoras para a vida. Vai investir um dinheiro no banco, escolher o bairro onde morar, o tema do TCC? Mantenha a calma e ligue para um desses indivíduos que já deram boas provas de sabedoria. Eles provavelmente sabem o que fazer.

Ter um time coeso e diversificado de foras facilita a vida prática como consolo por danos à vida afetiva. Não chega a ser justo, mas é alguma coisa. Para um sujeito como você acho mesmo que é de bom tamanho.

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