Os clichês que nunca vimos

Na fila do cinema do Bristol, uma senhora explicava para a amiga que hoje, na vida dela, só permanecia quem acrescentasse algo. Quem não acrescentasse era excluído. Ontem mesmo ela tinha deixado as regras desse jogo bem claras, em seu mural do Facebook. A amiga concordava enquanto passava várias camadas de batom vermelho em seu minúsculo, realmente minúsculo, lábio superior.

Nós — eu e as duas senhoras do Facebook — estávamos indo ver “On The Road”. Meu acompanhante oficial, no entanto, correu para longe delas assim que a porta da sala se abriu. Correu e sentou ao lado de umas meninas que, no fim do filme, comentaram o quanto tudo aquilo era clichê [“oh, jovens rebeldes e desempregados”] e na frente de um casal que achou que o filme pregava a total falta de ética.

Para essas pessoas, clichê é tudo aquilo que já foi feito em termos de experiência humana e que não está sendo feito pela maioria das pessoas nesse exato momento. Ou seja, tudo aquilo que elas não fazem, mas já ouviram falar, é clichê.

Cruzar o país transando em um carro é clichê. Eles não conhecem ninguém que jamais tenha feito algo assim, mas é clichê. Ser um jovem lutando para escrever um livro é um clichê dos mais batidos, embora seus amigos estejam mais ocupados batalhando por um carro novo ou para morar fora.

“Ah, que clichê” é a forma que encontraram para definir que seu próprio meio de vida é o único meio de vida válido já que não estão tentando nada novo, mas pelo menos são humildes, não se acham diferentes do resto. Trata-se de uma humildade paralisante e praticada por imbecis, mas ainda assim uma humildade. Quem falaria mal da humildade?

Walter Salles disse ter lido “On The Road” na adolescência, em algum ponto dos anos 1970 quando o Brasil vivia uma ditadura e as estradas eram bloqueadas. Se entrasse em um carro com um ex-presidiário, um escritor sem livros e uma divorciada de 16 anos, ele não conseguiria nem dobrar a esquina antes de ser parado pelos militares.

Jack Kerouac conseguiu dobrar várias esquinas, estados inteiros. Talvez ele não seja o melhor escritor de todos os tempos [Philip Roth disse que ele nunca passou de um narrador banal e eternamente adolescente], mas eu não sou a senhorinha do Bristol para pensar que quem não ascrescenta nada ao cânone deva ser excluído. Entre a genialidade completa e o funcionalismo público ainda há uma boa meia dúzia de caminhos a serem trilhados.

“On The Road” é a história de um escritor que precisa viver antes de escrever, é a eterna fábula masculina de um cara sem grandes atrativos que busca uma referência de masculinidade, mas é também a história de filhos de imigrantes cavando seu lugar na América. Os pais de Kerouac eram pobres e vinham do Quebec. Os pais de Ginsberg eram judeus fugidos da Europa. Cassady era praticamente um mendigo filho de imigrantes irlandeses.

Gostei bastante do filme. Da fotografia, das atuações, da maquiagem que deixava todo mundo suado, gosmento e lindo ao mesmo tempo. Achei fiel ao livro sem ser uma exposição página a página para preguiçosos. Achei Kristen Stewart indecentemente bonita. Por fim, achei legal Walter Salles fazer um filme que era para ter sido feito por Godard e mesmo assim pensar: “Ficou legal desse jeito e talvez esse papel fosse mesmo da mina do ‘Crepúsculo’ e não de Anna Karina.”

42 comments to Os clichês que nunca vimos

  • Rita

    leitura gostosa essa :)

  • Nathalia Henrique

    Já tinha ouvido falar bem do filme, mas agora lendo o post fiquei com ainda mais vontade de ver o filme!!
    Adoro o Blog!

  • cada vez mais certo de que esse é um tempo que tabu pensa que virou clichê ♪

  • Juro que sai do cinema na sexta feira e corri em seu blog para ver se tinha feito algum texto sobre o filme. Eu sabia que seria um bom texto. Pior do que aqueles que levantaram no meio do filme so aqueles que no final ou falaram que o filme foi chato ou falaram que era tudo clichê.

  • paris, paris

    sobre o filme, após a leitura do seu texto: não vi mas já gostei um pouco.

    clap!

  • vinhal

    o texto está certeiro, como de usual, mas tenho duas coisas a acrescentar:

    1) eu nao gostei tanto quanto esperava do filme nao porque tudo era clichê, mas porque tudo é bonito demais, em especial os atores.
    2) nao entendi a referencia ao godard, ele foi cotado pra dirigir on the road? nao era o coppola, que detem os direitos e produziu o filme, de quem voce queria falar?

  • Gaspar

    E funcionalismo público é o que Juliana, clichê? Cuidado com os clichês e estereótipos… Tu criticas as adolescentes, mas acabas fazendo a mesma coisa.
    O texto está bom, inspirador, mas apelar para esses estereótipos é um deslize que tu não precisavas cometer.
    Sou funcionário público e não acredito que nesta vida eu esteja do lado oposto da “genialidade completa”. Acho que tua “reguinha” padronizada por esterótipos está desregulada. Acredito tanto que há e houve funcionários públicos muito talentosos e até mesmo geniais além de suas áreas de atuação quanto funcionários públicos talentosos e geniais naquilo que fazem diariamente para atender senhorinhas, adolescentes, intelectuais e por aí vai (desempregados, ex-presidiários, aspirantes a escritor e ninfomaníacas também, acredite), sem fazer distinções.

  • Tati

    Eu adoro o blog e fiquei morrendo de vontade de ver o filme, mas confesso que concordo integralmente com o que o Gaspar disse acima.

  • aiaiai

    é esse negócio de “funcionário público = medíocre” é meio antigo, né?
    Como em todos os setores, existem pessoas geniais e pessoas medíocres no funcionalismo público. Eu não faço parte, jamais poderia pela falta de disciplina e orientação para o bem público, mas algumas das pessoas que mais admiro no brasil são funcionários públicos.

  • lala

    ADENDO AO COMENTARIO DO GASPAR:

    ATÉ PORQUE MACHADO DE ASSIM TRABALHOU A VIDA INTEIRA COMO FUNCIONARIO PUBLICO E ESCRITOR E AGORA JOSÉ?

  • Leo

    Juliana, belo texto, favoritei seu blog. Gaspar, meus pais são funcionários públicos então posso falar com conhecimento de causa. Eu entendi que o que a autora quis dizer com “genialidade” não foi estatura intelectual, ou talento em uma área de atuação específica, mas sim aquela capacidade de expôr os limites máximos do potencial humano nos inspirando a expandir nossos próprios limites. E você há de convir que a segurança acomodada, tão comum a funcionários públicos, por mais brilhantes e talentosos que sejam, é um ótimo contraponto a essa idéia.

  • Respeito tua opinião, no entanto discordo um tantinho. Sou fã indecoroso do livro, então talvez minha expectativa fosse acima do aceitável, o que complica tudo. Mas, apesar de não achar execrável, também não consegui embarcar no filme: senti um verniz de melancolia na tela, inexistente no papel, que deixa tudo muito etéreo, quando deveria ser tudo muito vivo (nas minhas ilusões, tenho medo que façam o mesmo com meu livro um dia). Penso se não é culpa de certo olhar moralizante. Ainda assim, assisti uma vez e assistirei de novo, Kerouac é cada vez mais necessário nos dias cínicos de hoje.

    Aquele abraço.

  • Adorei o texto!
    Concordo com o que disse do filme. Foto, atores, arte, trilha. Tudo é bancana. Mas achei um tééédio mortal o filme, justamente por ser tão fiel ao livro. On the road é um livro muito cultuado e eu sei que posso ser atacada por pensar assim…
    Não gostei nada do livro, e concordo muito com o Philip Roth. Aliás fui atrás e encontrei a entrevista que ele diz isso. Adorei!

    Bjs

  • Juliana Cunha

    Desculpa aí a quem se ofendeu com o comentário sobre o funcionalismo público. Eu realmente uso o termo como sinônimo de trabalho mecanizado e burocrático. Pode ser e pode não ser, estou sabendo disso. Não entendi o caps lock nem o tom de indignação/jornalismo denúncia dos comentários.

  • Joanna

    Acho que o que encanta as pessoas após tanto tempo a respeito da geração beat ou do on the road, é que ele representa uma extraordinária coragem de viver a deriva, sem nada planejado ou sem segurança. Isso, a despeito de qualquer opinião positiva ou negativa sobre funcionalismo público, é exatamente o contrário do mesmo. Pro bem e pro mal, continua sendo corajoso.

  • Tati

    Joanna, acho que a razão da revolta com o estereótipo do funcionário público é que ele não foi oposto à geração beat, mas sim à genialidade.
    De qualquer forma, acho que já ficou clara a razão do uso do termo dentro do texto. ;)

  • Luiz com Z

    “Entre a genialidade completa e o funcionalismo público ainda há uma boa meia dúzia de caminhos a serem trilhados”. Vou guardar na gavetinha de respostas pra meia dúzia de chatos que ficam cobrando genialidade sem terem criado porra nenhuma. Adorei também a versão elegante de “só fica na minha vida quem soma, quem não soma cai fora”, ou seja lá o que ela tenha dito no original. Mas ao mesmo tempo vou me conter muito pra não ver o filme antes de ler o livro.

  • Suzana

    Acho que o clichê de que a menina falou é o de se acreditar que sexo, drogas e perambulação sem propósito, por si só, façam uma história ou gerem coisas dignas de serem contadas. No caso do filme, e do livro também, acredito, é óbvio que não. Me deu uma sensação de futilidade terrível. Sabe, o cara pega estrada, entra no carro de um desconhecido e o máximo que consegue falar é “ah, dói amputar o dedo?”. Um completo idiota. E, falando de novo em clichê “que nunca vimos”, pelo menos na faculdade vi sexo, drogas, falta de rumo, pegar estrada de carona, etc. E ouvi histórias muito melhores do essas do filme. Mas acho que vai muito da mediocridade do narrador, o carinha que, assim que a situação aperta, volta correndo para o quartinho na casa de mamãe. Não dá. (desculpe, li esse post ontem e devia ter comentado quando estava de bom humor, hehehe)

  • Suzana

    Ah, uma coisa me chamou a atenção especialmente: Sal PAradise é, o tempo todo, um espectador deslumbrado. Nas poucas vezes em que ele se joga na confusão, ele foge apavorado.

  • Não assisti ao filme, ainda, mas mesmo que o ache uma merda seu argumento vai continuar excelente.

  • Ao meu modo de ver, o filme On the Road, de Walter Salles, está na árdua atribuição de agradar ao senso estético – moral – conceitual comum cristalizado na consciência social – cada vez menos analítica; cada vez mais enclausurada nos estereótipos mantrânicos hipermídia manifestos na morbidez do Mainstream… Sem experimentação – Are You Experienced? – como diria Jimi Hendrix, sem assentar alguma vivência real na estrada de On the Road, torna – se humanamente impossível processar a plenitude da obra literária mais emblemática e representativa da Contracultura, catalisando definitivamente o movimento de libertação da América Pós – Guerra nascida em meio às dúvidas, assombros e anseios da geração quase perdida de Jack Kerouac… Leia mais em http://ritual66.blogspot.com.br/2012/07/on-road_17.html

  • Joe

    Você escreve um artigo criticando quem usa clichê, e fazendo um salto cognitivo bizarro entre “dizer que é clichê”, “conhecer pessoas que fazem igual” e “chamar de clichê é não aceitar o diferente”… E aí o texto anterior critica… o clichê de se fazer clipes na Disney!

    Eu nem vi o “Na Estrada”, nem concordo ou discordo de ser clichê. O filme deve ser bonito e tal mesmo. Mas ficou claro que você não sabe bem o que é ser “clichê”. E que você não entendeu a reclamação dos seus colegas de cinema.

    O mais engraçado é que existe um argumento prontinho para desancar a acusação de clichê: O road-movie, com jovens viajando de carro e fazendo merda, só é um tema batido (ou seja, um clichê) porque existiu o “On the Road” do Kerouak para inspirar os 392.843 filmes que foram feitos entre a publicação do livro e o lançamento do filme. É clichê? Hoje é sim. Mas o mérito é todo do velho Jack.

  • O que fode é a condescendência.

  • juliana

    joe disse tudo no último parágrafo do comentário dele. era o que eu tava pensando enquanto lia o texto.

  • Neima Toscano

    rs..E garotas saindo do cinema dizendo que um filme é clichê em alto e bom som…também é bem clichê ..rs
    Adoro a beleza da kristen ,quanto menos make..banho…produção.. mais gata.Vai eu fazer isso! rs
    Adoro esse blog..

  • Neima Toscano

    A e… fazendo críticas sobre tudo e todos com o twitter etc..de preferência no trailler rsrsrsrs brasileiros..que tando odeiam tudo e criticam tudo de quem faz e não sabem fazer nem a metade e lutar por nada…mas são ótimos em críticar ( na internet de preferência rs)…Joe se tiver um blog gostaria de ler …vc argumenta muito bem..rsrs

  • Acho que o maior problema está em o que as pessoas se dispõem a assistir e como está a cabeça delas para aceitar esse ou aquele tipo de história. Jovens desesperados para viver coisas que nunca antes viveram e para fazer loucuras nos quatro cantos do mundo é um clichê que todos nós vivemos em algum momento de nossas vidas e se não fizemos, desejamos fazê-lo (seja numa versão light ou com benzedrina). Então se é clichê, é porque se trata de um sentimento humano, comum a todos – a vontade desesperada de viver e de errar de vez em quando.
    Mas esse não é um clichê raso e muito menos um clichê confortável. É o clichê do auto-questionamento que poucos tem coragem de encarar porque o mais fácil mesmo é dizer que é um clichê e pronto, sem se perguntar no que ele deságua. Acho que o mérito do Kerouac esteve em admitir seu desconforto com o que tinha em mãos e buscar mais, assumindo aquilo que hoje alguns julgam ser um clichê simples. Por covardia, claro.

    O engraçado é que quando eu fui ver o filme, me aconteceu algo parecido: gente dando opiniões desfavoráveis sem pensar um segundo. Acredito que essa cena tenha se repetido em milhares de salas de cinema.

    Antes de ler o seu post, eu tentei escrever algo e nossas conclusões foram até parecidas. Caso queira opinar lá também: http://chegadelirismo.wordpress.com/2012/07/19/atencao-este-nao-e-euro-trip-ii/

  • Aliás, precisei voltar aqui pra colar uma citação que acho que resume bem o sentimento de inquietude presente em On the Road contraposto a todos e qualquer julgamento que se possa fazer em relação a ele:

    “Amarguras, recriminações, conselhos, moralidade, tristeza – tudo lhe pesava nas costas enquanto à sua frente descortinava-se a alegria esfarrapada e extasiante de simplesmente ser.”

    Nem precisa dizer a fonte, né?

  • Guilherme

    Achei o filme arrastado, como o livro. A fotografia realmente é muito boa, mas é só isso. Se reduzissem 1h e 30min de festa e loucura para 15 min de festa e loucura daria na mesma.

  • Bruno

    Juliana, queria te pedir um favor: Conserta o share do facebook, sim?

    Thanks :)

  • darkstar

    tem um livro ótimo do Kerouac: ´Vagabundos Iluminados´

  • Walter Salles arrasou, e é mais mérito dele que do Kerouac

  • darkstar

    “Zen e a Arte de Manutenção das Motocicletas” é outro livro fundamental para colocar a mente na frequência adequada…

  • Não vi o filme, não gosto do livro, mas seu texto, Juliana, está bom como sempre. Clichê ou não, o fato é que só é possível para alguns sair pelo mundo sem compromisso porque outros se mantêm enraizados na vidinha ordinária. Afinal, os carros não se constroem sozinhos, a estrada que corta o país não surge asfaltada pela força do pensamento, o álcool que entorpece não goteja com a chuva, o papel no qual o livro será escrito e impresso não cai das árvores, ainda que delas seja feito! E nem mesmo a juventude seria possível se não houvesse quem se dispusesse a abrir mão da aventura para criar os filhos até que cheguem a ela. Resumindo: a manutenção da vida, por mais simples e desapegada que seja, tem um custo. Viver em sociedade sempre se dará por meio da troca de bens, materiais ou não, e para que alguns possam escolher não fazer nada ou correr atrás de uma suposta genialidade criativa, muitos precisam dedicar-se às tarefas que não resultarão em roteiros de filme simplesmente porque são essenciais demais para serem percebidas. Talvez por isso eu tenda sempre a admirar muito mais os gênios que também viviam como gente comum, como é o caso de um Espinoza ou de um Bach…

  • fabiane

    Adoro o blog, sou fã das fotos e dos textos.. Mas continuo sem entender a referência a servidor público.. Aliás, houve um pedido de desculpas que não foi bem um pedido de desculpas, não é? De qualquer maneira me fez pensar se não é mais heróico e genial um juiz que lutou contra a Máfia ou uma assistente social que realmente faz diferença na vida das pessoas.. Acho que esses exemplos e outros me emocionam mais do que este filme..

  • Juliana

    Respeito muito a opinião dos que gostaram do filme, mas o achei chato. Equiparar aventura com sexo, drogas e um carro rodando sem rumo por um país, na minha opinião, é pobre. Acho que o filme consegue, no máximo, contar a história de um grupo de amigos e não dá ao público a imagem de que aquilo fazia parte do vazio de uma geração pós-guerra, meio perdida, enfim, acho o filme pobre e o livro idem.

  • Eu li o livro muitos anos atrás e a impressão que tive ao ver o filme foi que são coisas diferentes (claro!). O livro para mim era mais sobre a experiência de passar por tudo aquilo e você meio que se sentia parte de tudo aquilo. Já o filme, assistido quase 20 anos depois de ter lido o livro me pareceu mais uma alegoria sobre a vida que segue, sabe? As pessoas que não participam mais da sua vida e tal.
    Embora o Walter Salles tenha mostrado algo bem próximo do livro, não consegui me relacionar tanto. É uma adaptação, é. E é boa. Talvez seja o meu olhar que mudou…

  • Stephanie

    Que mania as pessoas tem de se apegar a alguma referência do texto e perder totalmente o foco sobre ele. Foda-se o funcionário público, gente. Foi utilizado como parâmetro de trabalho burocrático e mecanizado, o que realmente é. Isso não quer dizer que os que o fazem não sejam inteligentes/geniais.

  • On the Bus Stop after working all day

    Comentário bem atrasado, mas lá vai:
    Assisti o filme ontem, não li o livro, mas me pareceu cliché sim. E como alguém comentou anteriormente, isso se deve ao próprio Kerouac! Rsrsrs! O cara escreveu o livro, influenciou meio mundo de filmes e quando afinal adaptam a história original, contraditoriamente ela causa a sensação de deja vu. Hoje em dia não há nada de novo num road movie, com jovens transgredindo as regras e vivendo alheios ao que se considera padrão de comportamento em sociedade. Gostei do filme! É belo, um pouco arrastado e também senti uma certa melancolia. É como se aquela liberdade no fundo também aprisionasse. O tal do Dean é um ser amoral e me perdoem os que o amam, mas o seu comportamento é verdadeiramente execrável.
    Ao final do filme, fiquei com aquela sensação de que foi tudo uma viagem sem sentido, apenas sensorial e que se havia um vazio nos personagens, ele não foi preenchido. Estavam sem rumo e sem rumo ficaram, com exceção do Sal, que experimentou a viagem através de uma certa distância (segura).
    Como falou anteriormente Angelita, não dá para viver daquele jeito em sociedade, irresponsavelmente, sem limites. Talvez o Phillip Roth esteja certo: Kerouac é superestimado e um eterno adolescente.

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