Baile de máscaras

Seul é tão mais legal do que eu imaginei que fosse. Nem o frio de -16°C tem me impedido de passear todos os dias. O segredo é não “energizar” a baixa temperatura, não admitir que está com frio, como Sergio, um amigo que mora aqui, repete o tempo todo. Pena que os arquitetos da Coreia Imperial tenham trabalhado tanto em prol da neve, construindo palácios no estilo oriental, desses que são feitos de vários pequenos complexos separados por longas caminhadas no sereno. Imagine o que não era sentir vontade de ir ao banheiro vivendo num desses palácios.

Enfrentando os desafios da vida, comi larva de bicho da seda torrado em uma feira de rua, samgyetang [canja de galinha mal passada com ginsen e um caldo esquisito] e kimchi [acelga com alho, gengibre e pimenta fermentado por dias num potinho fechado, mantido debaixo da terra]. Para acompanhar, chá verde frio [não parece em nada com o chá verde que tomamos no Brasil] e bebida de ginsen. Bom não estava, mas posso dizer que estou viva para contar a história e para tirar o gosto de todas essas gororobas provando os incríveis, doces e imensos morangos coreanos.

O Dunkin’ Donuts daqui vende donuts de alho. Eles comem tanto alho que algumas pessoas cheiram a isso na rua. E comem polvo vivo também, no estilo “Old Boy”: escolhe o polvo num aquário que fica na porta do restaurante, corta o tentáculo na mesa e põe para dentro.

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A cidade tem quatro palácios que podemos visitar em sequência, comprando um ingresso coletivo: Gyeongbokgung, Changdeokgung, Unhyeongung e Gyeonghuigung. São todos lindos, mas pouco diferentes um do outro. Aposto que você não notou que as duas fotos acima não são do mesmo lugar.

As pessoas da Coreia Imperial realmente gostavam de entradas triunfais: cada palácio tem um zilhão de portões por onde os súditos entravam repetidas vezes em rituais muito complexos até finalmente chegarem a algum lugar.

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Fazendo [literalmente] novos amigos.

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As crianças daqui são de gerar comoção pela lindeza e simpatia.

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Estou quase aconstumando a ver gente de máscara cirúrgica na rua. Soa meio doentil, porém muito civilizado quando a pessoa está gripada e usa uma máscara para não contaminar os outros. Não sei se é eficiente, mas fica pelo gesto atencioso com meros passantes na rua. As pessoas daqui usam essas máscaras para tudo: para proteger contra a poluição [não parece funcionar], para não pegar gripe, para não passar gripe, para proteger o nariz do frio, enquanto se recuperam de rinoplastias [eles fazem muitas] e — acredite — para fazer um charme. Quem nunca colocou uma máscara hospitalar na cara para agradar aquele paquera?

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Talvez para prestigiar a indústria local — Samsung e LG  — poucos usam iPhones por aqui. Eles preferem celulares grandalhões guardados em capinhas que funcionam como carteira e diário.

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O inglês dos coreanos costuma ser muito ruim, o que cria situações engraçadas sobretudo com letreiros de lojas e materiais publicitários. Textos que usam mil adjetivos e não querem dizer coisa alguma estampam a parede da maioria dos cafés da cidade. Acho engraçado e muito compreensível. Imagina como eu não falaria se a língua de comunicação internacional fosse o chinês, por exemplo.

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6 comments to Baile de máscaras

  • Garota, você é corajosa demais pra lidar com essas comidas todas. Parabéns e corre pros morangos.

  • Aline Bessa

    Que coisa maravilhosa essa viagem!

  • wagner

    Muito legal e corajosa ao provar as iguarias, rs…. bj :)

  • Tu já é minha blogueira favorita e ainda vai para um dos lugares que eu mais sonho ir… como te amar mais? Risos.(no sentido controlado da palavra amor, sem acessos de carinho)

    Aproveita esse tempo aí e sempre que dá, traz uma novidadezinha pra gente. <3

  • Emiliano César de Almeida

    Como não tenho condições de viajar por conta de “n” fatores, pego carona nas suas fotos e nos seus textos e dou asas à minha imaginação.

  • Criatura, kimchi foi uma das coisas mais ardidas e fortes que já experimentei. E uma outra coisa que comi em Guanghzou, qu até hoje não sei se era do mar, da terra, do ar ou de Marte…
    Forte abraço , curta a viagem.

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