Pato Pequim e outros bichos

Pequim foi ótima comigo e nos despedimos com um banquete de grilos, estrelas do mar, cavalos marinhos e escorpiões na rua Wangfujing. O cara da quarta foto teve menos sorte que eu: em dado momento o escorpião dele começou a soltar líquidos verdes que escorriam pelo palitinho de modo pouco agradável.

Conheci algumas garotas brasileiras que moram e estudam por aqui. Descobri que não existem escolas em Pequim onde chineses e estrangeiros estudem na mesma sala, lado a lado. As meninas que conheci estudam numa das poucas escolas que recebem nativos e forasteiros e o esquema é assim: um muro no meio da escola, cada um para o seu lado. Elas moram aqui há um ano, falam um bom chinês, mas não têm amizade com nenhum local. Achei triste.

Quem vive aqui usa o VPN para conectar sites como Facebook e YouTube. Você precisa contratar o serviço de uma empresa que te dá acesso a um servidor gringo. Assim, pode navegar em todos os sites permitidos no país daquele servidor. Acontece que o governo persegue essas empresas e o serviço sai do ar frequentemente, às vezes por um mês inteiro. Além disso, é caro ter um VPN.

Agências bancárias funcionam todo dia, inclusive sábado e domingo. Os operários da construção civil também não param. Prédios surgem prontos do nada, segundo me contaram minhas novas amigas. Férias de 30 dias não é um direito trabalhista. Grande parte das pessoas tem apenas uma folga semanal e vinte dias de férias anuais divididos em dois feriados nacionais.

Nas ruas do centro, só marcas caras e consagradas, a maior parte ocidentais. As chinesas ricas, assim como as paulistanas ricas, têm todas os mesmos quatro modelos de bolsas de marca que todo mundo consegue identificar de longe pelo nome e pelo preço. Não é difícil calcular o valor exato que cada uma delas gastou para se vestir. No cinema, por outro lado, só filmes orientais. Produções tailandesas, indianas e coreanas lotam o multiplex deixando somente um ou duas salas para Hollywood.

Muita gente aqui olha feio para ocidentais. Encara no metrô, dá empurrão na fila para ver o boneco de cera do Mao. Outros sorriem, pedem para fotografar. A impressão que dá é que ninguém nos enxerga como gente de verdade, seres humanos passíveis de construir relações de amizade para além de uma cusparada de desprezo ou de um olhar de curiosidade.

A cidade dorme cedo, é complicado pegar táxi e chato passar por mil inspeções de segurança por dia, muito mais que em Nova York ou qualquer lugar que eu já tenha ido. Os monumentos históricos são de tirar o folêgo mesmo estando um tanto quanto detonados. Os passeios mais legais que fiz foram a Muralha e o Palácio de Verão. Visitar Pequim é um programa que recomendo muito mas, honestamente, achei Seul bem melhor.

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Artesã produzindo “happy family balls” no Museu da Jade.

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Cantor de ópera chinesa.

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3 comments to Pato Pequim e outros bichos

  • Algo que existe em todos os lugares do mundo: pessoas com suas diferenças e rejeitando a diferença do próximo. Quando aprenderemos a ser humanos e tratar o outro da mesma forma, ao invés de olhar atravessado na rua? Muito triste. Exclusão não é solução.
    Abraços.

  • Loving your adventures. I’m really interested to see what you find in North Korea. Keep up the great work.

  • kauany rafaela barros

    acho legal essa variedade cultural que existe!!

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