Ainda na China, dou uma última espiada no confortável quarto de hotel em que passei os últimos dias. O aquecedor funciona, a água é quente e a comida é gostosa. Meu acesso à internet pode até ser limitado, mas existe. Daqui para frente as coisas devem ser um bocado diferentes.
Estou indo para a Coreia do Norte: possivelmente o país mais esquisito do planeta. Um fim de mundo que recebe cerca de 3 mil ocidentais por ano. Tudo o que sei sobre o lugar vem do meu guia Lonely Planet, da Wikipedia, de filmes sobre o país e da HQ de Guy Delisle, um quadrinista canadense que passou dois meses em Pyongyang trabalhando como supervisor para um estúdio de animação francês, em 2003.
Em busca de mão-de-obra barata, alguns estúdios europeus mantém equipes por lá e pobres artistas ocidentais são enviados para meses de trabalho que consistem em não permitir que os discípulos de Kim tornem os desenhos burocráticos demais.
O diário de viagem de Delisle virou uma graphic novel muito legal que a Zarabatana lançou em português. Se chama “Pyongyang: Uma viagem à Coreia do Norte” e imagino que sua publicação tenha sido um ato de amor à camisa já que a mesma pessoa traduziu, editou e editorou o livro.
Delisle me ensinou que:
- A Coreia do Norte é o único país do mundo que não está conectado à internet
- Aos domingos a TV pega dois canais. Durante a semana, apenas um
- Os campos de reeducação através do trabalho não existem oficialmente
- É proibido fotografar latas de lixo e qualquer sinal de decadência ou sujeira da cidade
- Só homens casados, com filhos e de confiança podem viajar para fora do país. Geralmente eles não podem levar a mulher nem os filhos, ninguém quer testar demais essa confiança
- Os coreanos trabalham seis dias por semana e fazem trabalho voluntário obrigatório [don’t ask] uma vez por semana
- Nos parques, crianças podem ser vistas carregando baldes e regando o gramado. Por diversão, claro
- A comida é muito ruim e boia na gordura [estou levando biscotinhos chineses na mala].
Animou para visitar a Coreia do Mal? O blog “Gabriel Quer Viajar” fez alguns posts interessantes sobre o país.









Tenho uma vontade enorme de ver tudo isso de perto, é que a Coreia do Norte sempre me intrigou. Vai lá Ju, boa sorte, vou acompanhar
“Trabalho voluntário obrigatorio” KKKKK!
Diante um cenário descrito de uma forma tão singular, o que motiva você a visitar a Coréia do Norte? Justamente o diferente?
Estou adorando essas suas aventuras, relatos e sobre tudo as fotos! O Oriente é sempre encantador em alguns aspectos (vamos ver a Coreia do norte, né?!)
Achei legal desse post a menção de Guy Deslile: vc me relembrou que eu queria le-lo, mas nao tive tempo/memoria/oportunidade de ler. Ai fui direto na biblioteca do bairro pra pegar, et voilà : uma fila de espera de 3 pessoas que tb querem pegar o mesmo livro. Ou seja, daqui a mês ou mais… Mas dessa vez me animei pra ler e não vou largar!
Obrigada pelos relatos e boa sorte ai do outro lado!
Gosto da forma como você tem procurado informações sobre os lugares que anda visitando. Com HQs e tudo o mais. Principalmente sobre a Coréia do Norte que é um mistério pro mundo todo.
há um livro muito giro de um autor português, José Luís Peixoto, que se chama “Dentro do Segredo” e é sobre a Coreia do Norte, locais e afins.
Muito bom. Nunca decepciona.