Sem resposta

Tomei uma decisão na minha vida que é assim: eu já não respondo e-mails de desconhecidos/semi-conhecidos que obviamente não se deram o trabalho de pesquisar o assunto minimamente antes de me escrever. Isso significa que eu não respondo mais pedidos de parceria, envio de brinde e publicidade para o meu blog. As propostas são frequentemente indecentes e sempre começam com “eu leio sempre seu blog”, o que é mentira: se o cidadão tivesse lido uns três posts saberia que não tem nada de publicidade no blog, nem de parceria etc etc.

Também não respondo mais e-mails sobre dicas para freelas, a não ser que o e-mail traga uma pergunta específica que eu saiba a resposta e por acaso não tenha incluído no meu post sobre o assunto. Se a pessoa obviamente não leu o post, nunca leu nenhum outro material sobre o assunto e achou que seria super de boas alugar um estranho para tirar todas as suas dúvidas sem ter que pesquisar nada, então que vá se catar.

Outro e-mail que não respondo: “que câmera e lente você usa?”. Essa informação consta no Flickr, ao lado de cada uma das imagens.

Mais outro: proposta de trabalho indigna de ser considerada.

E outro e outro: “como é morar em São Paulo?”, “como é estudar Letras?”.

Uma boa forma de receber respostas para esse tipo de pergunta sem incomodar as pessoas é pesquisando por conta própria ou perguntando em fóruns ou na sua própria rede social. Quando a pergunta não é direcionada a uma pessoa, responde quem quer, ninguém está sendo intimado a responder. Outra opção digna é recorrer a conhecidos de verdade e ainda assim demonstrando algum respeito pelo tempo da pessoa, algo que raramente acontece nesses e-mails. Parece que o simples fato de você ter um blog ou até um Facebook te faz um balcão de informações que está ali para isso mesmo, então, tudo bem a pessoa perguntar o que quiser e depois responder com um seco “obrigada” ou, melhor ainda, simplesmente parar de responder no minuto exato em que a dúvida dela foi solucionada e você já não é útil (mais comum do que você imagina).

Passei os últimos anos respondendo religiosamente todo e-mail que me mandavam, inclusive os mais sem noção. Por que? Porque sou legal? Claro que não: respondia porque a ideia de que alguém pudesse falar mal de mim me parecia assustadora o suficiente para merecer essa resposta. Imagina se a pessoa ignorada fala para um amigo: “mas essa menina que eu lia na internet é muito mal educada, nem respondeu meu e-mail, afe”. Pois é, isso me parecia relevante. Não parece mais. Ou até parece, mas digamos que os dez minutos que economizo em uma interação social fracassada me pareçam um pouco mais relevantes.

Para completar a lista de decisões que provavelmente me tornam uma pessoa mais antipática, mas certamente evitam a úlcera, desde o ano passado não tenho mais “frenemies”. Ou melhor: ainda tenho porque essas coisas vão se acumulando e você demora a detectar/lembrar/conseguir se desapegar de todos eles, mas estou resoluta a não mais acumulá-los e meio que aindei fazendo uma limpa. Pedi desculpas sinceras a algumas pessoas que acho que prejudiquei em algum momento da vida e deletei sumariamente pessoas que me prejudicaram e nunca pediram desculpas (ou o fizeram daquele jeito “desculpa se eu…”. Desculpa + se = pior do que ficar calado). Também estou nessa vibe de deletar pessoas que nunca me fizeram mal nem eu fiz nada a elas, mas com as quais me sinto em disputa por algum motivo abstrato e idiota.

Vou tentar restabelecer vínculos com alguns poucos parentes que acho que valem a pena e abrir mão por completo dos outros. Alguns realmente são escrotos e deixa para lá, outros até que são bonzinhos, mas quando o sentimento de que alguém não tem nada a ver com você persiste por mais de cinco anos é porque isso provavelmente é verdade, então, para que apostar tanto em laços de sangue? (Minha mãe daria risada se lesse isso aqui porque até parece que eu aposto tanto, mas, sei lá, já que estou apostando tão pouco, que tal não apostar at all?).

Bem, acho que é isso. Acho que está bom por ora.

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24 comments to Sem resposta

  • ste

    nossa, parece que fui eu que escrevi isso, de tanto que tem a ver comigo! sempre pensei dessa mesma forma, mas é tão difícil ver outras pessoas que pensam assim também… de ir direto ao ponto, decidir as coisas de uma vez!

  • Lecy Suzuki

    A vida seria muito mais simples se todos pensassem como você. Ser sincera e falar o que pensa não é ser antipática. É ser autêntica. Pena que a maioria não entende isso.

  • Eliane

    Muitas pessoas ficam tão presas aos dogmas das convenções socais que enxergam na sinceridade um comportamento de antipatia ou de maldade. Eu me afastei de muita gente o último ao, inclusive parentes (gente chata, que não “agrega valor” a minha vida, me cobra o tempo todo: “nossa, você ainda é professora?! como paga esse carro? E então, 35 anos, passou da hora de casar!) Isso sem contar que vc tem que ter o bom senso de se afastar de quem faz mal a você, como uma chefe tirana, sacana e omissa; um colega de trabalho vampiro; parente abusado que só gosta de dinheiro emprestado; vizinho que faz gato na sua energia/internet/tv a cabo e depois quer ficar de boa, dado bom dia. Ai que mega alívio senti quando li esse post, afinal, não estou tão sozinha. Abraços.

  • Erica

    Bom, eu não sei se faço bem, mas vou arriscar… São duas correções ortográficas, que acho válidas. Espero que não se importe, ok? A primeira seria “restabelecer”, com apenas um “e”, e a outra “por ora”, sem “h”.
    Um beijo,
    Erica

  • Gabriela

    Dá para incluir na lista de “frenemies” aqueles ex-coleguinhas de colégio que aparecem do nada, 25 anos depois, achando que temos que nos reunir/encontrar/rever/comemorar de qualquer maneira? A pessoa me alugou na rua, me convidou para um suposto encontro, contou as tragédias das vidas de umas vinte pessoas, disse que ia me indicar para x, y, z coleguinhas no FB (que eu nem queria rever nem nada) e disse que ia me ligar dia tal hora tal. Estou até hoje esperando (quem dera). O encontro de coleguinhas ocorreu, a pessoa não me chamou (só que eu nem queria), tem sentido essa encenação toda? Por isso que voltei para minha cidade há uns 09 anos e nunca procurei pessoas aleatórias, só os que eram amigos mesmo desde sempre e vão continuar sendo. Tem que ser feita uma coleta seletiva de pessoas também. O meio ambiente agradece.

  • Elis

    Boas resoluções!eu não consigo me desvencilhar dos frenemies!

  • Lari

    Uma vez te mandei um email pedindo autorização para publicar um texto seu (com créditos, claro!)(acho que isto faz dois ou três anos). E você foi tão, mas tão querida, que ganhou meu coração para sempre \o/
    Sempre leio, comento pouco, mas tenho um carinho fofo por você :)
    Te entendo, mas fico com dó pelas pessoas que não conhecerão este seu lado.

  • Quando você ajuda demais, o abuso começa.

    O Google serve pra isso, na maioria das vezes ele faz o trabalho bem feitinho.

    Você tem filtrado bastante o modo como escreve (talvez seja neura da minha cabeça), então esse post de hoje me lembrou aqueles antigões do tempo blogspot.

  • Nossa, muito irritante quem quer tudo mastigadinho de mão beijada. Pesquisar pra quê né? Afff. Isso quando a pessoa ainda acha ruim que não respondemos. Odeio tanto que fiz um post sobre isso em 2012 – http://www.ilafox.com/2012/11/eu-odeio-32.html). X-P

  • Clarissa

    Preciso de uns dez anos de terapia para conseguir isso.

  • Ju, ótim a resolucão. foi um tapa na minha cara ler esse post. faço exatamente isso – esse medo de alguém falar mal de mim é uma merda. E recebo umas perguntas q vou te contar…. mas enfim, pra vc ver como eu sou medrosa: eu nao sou sua frenemie né? pls pls pls diz que gosta de mim!! ; )

  • Juliana Cunha

    Até parece, Helô.
    E também não significa não responder nada de ninguém, só não respondo mais e-mail de gente desconhecida fazendo pergunta genérica ou invasiva. O resto eu sigo respondendo, até porque também pergunto um monte de coisas a um monte de gente.

  • Flá

    Texto maravilhoso,me identifiquei tanto! Não que eu seja muito alvo de perguntas, mas também sofro do medo de não querer, jamais, nunca, que alguém me ache antipática- mesmo sendo uma pessoa totalmente xis que, pensando bem, eu nem acho muito legal! É totalmente opressor e eu to tentando de verdade sair dessa vida pq cansa tanto… Mas acho que estou melhorando, não tenho mto frenemies, mas conhecidos do facebook, por ex, compartilhando coisas que eu acho nada a ver comigo (geralmente racistas,machistas, homofóbicas…) já estão sendo sumariamente excluidos sem peso na consciência!

    Uma hora consigo totalmente #oremos.

    Adoro o blog, apesar de não comentar nunca…=)

    Beijão!

  • Solange

    Sou uma desconhecida que sempre leio seus posts e nunca comento(quem dirá te mandar e-mail). Amo tanto o que vc escreve que se tivesse a opção de fazer uma doação eu faria sem receio. Sou muito grata por vc manter esse espaço onde expõe sua opinião autêntica. Não tenho ídolos, sou blasé como vc disse em outro post, mas sabe aquele “gostosinho” que vc disse sentir? É bem isso que sinto ao te ler. Vc é uma inspiração pra mim!

  • Brenda

    Esse lance dos frenemies é muito real. Por vezes me peguei delirando achando que devia realmente prosseguir com certas amizades, sentindo uma responsabilidade (oi?), não sei. Uma coisa completamente sem sentido. Não faço resoluções de ano novo, mas esse ano tenho três:1) voltar pro francês.2) usar mais preto. 3) “be my own person”. Não quero mais ser pessoa de ninguém, muito menos dessa gentinha que não tem limites nem respeito. No momento em que se torna um fardo, deixa de ser amizade.

  • Você está certa. Não há limites pra gente sem noção. E nunca iremos agradar grecos e troianos, por mais que gente tente. Portanto, cabe a nós escolher quem realmente merece nossa atenção.

  • Marina Rodrigues

    Olá,
    estou pra te fazer uma pergunta há muito, mas como tenho o pior timing do mundo, deixei pra fazer hoje, justo depois de ler este post.
    Mas vou arriscar (e por favor, não fique brava…e não precisa responder também…é só curiosidade): o que aconteceu com o “Esperando Virar a Touca”? Você acabou com ele ou fechou para os estranhos?
    Adorava o seu tmblr.

    PS:juro que pesquisei a resposta no blog antes de te perguntar, mas não encontrei.

  • Começo de ano é hora de reavaliar muita coisa e muitas pessoas…ótimo post!
    Bj e fk c Deus.
    Nana
    http://procurandoamigosvirtuais.blogspot.com.br/

  • Juliana Cunha

    Eu mudei o nome do Tumblr, Marina, foi isso. Aqui: http://parischineseborder.tumblr.com/
    :c)

  • Marina Rodrigues

    Oba!!!!!

    :D

  • Ana Straube

    Oi, Juliana,
    Acho que meu timing também não anda dos melhores, mas tenho uma pergunta para fazer…rs
    Li um post seu há tempos que contava que Palito frequentava uma creche para cachorros, a Dog Town, certo? Passei lá na frente outro dia e a casa está para alugar. O site está em construção, os telefones e email não respondem e não achei nada sobre na net. Você sabe se eles fecharam de vez ou se mudaram? Desculpa a encheção, mas você é a única pessoa que “conheço” que tinha um cachorro aluno :)
    Obrigada!

  • Juliana, não te conheço pessoalmente, mas me permita fazer uma pergunta. Porque você escreve tão pouco em seu blog? Sabe, esse mundo virtual é tão cheio de pessoas que escrevem mal que quando encontramos um blog bacana, este mesmo blog não tem uma continuadade. Me permite em te dar um conselho? Tente escrever diariamente qualquer coisa que seja, pequenos ou médios textos de quaisquer asneiras que passer por sua cabeça, assim desse modo seu fluxo criativo se desenvolverá. Sei que a inspiração de escrever não “rola”todo santo dia, mas tente escrever sem nenhum tipo de compromisso em querer agradar ou até mesmo em escrever gramaticalmente correto. Escreva por escrever somente; por exemplo: Meu dia foi uma merda. Sei lá, apenas uma sugestão.

  • Kathe V.

    Discordo do Diogo aí em cima. Poste apenas quando estiver inspirada. É por isso que o blog É BOM! Tá cheio de blog de “Postar todo dia só pra encher linguiça” porque os leitores querem sugar e sugar e sugar noticias ou textos porque “a blogsfera está tão vaziaaaa”… mas o blogueiro precisa de um tempo, de um tempo inclusive, de cabeça vazia e teclas paradas pra poder se expressar.
    Take your time, os outros que esperem.

  • Jessica

    Já fui leitora sem noção, já fui troll, enfim, já fiz muita coisa feia e errada que nasceu na época do Fotolog e das caixas de comentário anônimos do Blogstpot; e que algumas pessoas achavam “normal”, afinal é “internet”. O tempo passou e, apesar de ser hábito recente, admito, penso 18 vezes antes de perguntar ou comentar qualquer coisa pra um blogueiro. Mas algumas pessoas parecem não ter aprendido ainda. Umas doses homeopáticas (ou cavalares, por que não) de Google não fazem mal a ninguém, e a Internet e o mundo agradecem. Seu post é um serviço de utilidade pública :)

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