Aparelhos que se renovam

Diante do horror daquela foto do suposto assaltante preso ao poste com uma trava de bicicleta no Rio de Janeiro, lembrei de um conto de Machado de Assis chamado “Pai contra mãe” em que ele pontua o caráter estrutural da escravidão e suas consequências em todos os aspectos da vida social brasileira.

Logo no começo do conto ele fala dos aparelhos e ofícios que entraram em desuso com a abolição, mas a foto do jovem acorrentado mostra que embora os aparelhos tenham entrado em desuso eles continuam sim muito úteis, tanto que estamos até adaptando outros objetos para cobrir esse filão de mercado. Machado também chama atenção para o fato de que a ordem social e humana nem sempre se alcança sem o grotesco e o cruel. Não é mais ou menos isso que os nossos amigos têm dito sobre esse episódio nos elevadores e redes sociais da vida? Mas por ser Machado de Assis e não um blogueiro opinativo ocupado com a onde de calor, com a filha de Woody Allen e com o jovem negro ao mesmo tempo, ele deu um passo além das nossas timelines e apontou para o jogo de contradições que não permite identificar uma [ou uma só] vítima na história. Por isso o nome do conto é pai contra mãe e nossos amigos que pedem a cabeça do jovem talvez sejam o pai, mas quem somos nós?

“A escravidão levou consigo ofícios e aparelhos, como terá sucedido a outras instituições sociais. Não cito alguns aparelhos senão por se ligarem a certo ofício. Um deles era o ferro ao pescoço, outro o ferro ao pé; havia também a máscara de folha-de-flandres. A máscara fazia perder o vício da embriaguez aos escravos, por lhes tapar a boca. Tinha só três buracos, dous para ver, um para respirar, e era fechada atrás da cabeça por um cadeado. Com o vício de beber, perdiam a tentação de furtar, porque geralmente era dos vinténs do senhor que eles tiravam com que matar a sede, e aí ficavam dous pecados extintos, e a sobriedade e a honestidade certas. Era grotesca tal máscara, mas a ordem social e humana nem sempre se alcança sem o grotesco, e alguma vez o cruel. Os funileiros as tinham penduradas, à venda, na porta das lojas. Mas não cuidemos de máscaras”. [+]

[Pai contra mãe, Machado de Assis]

31 comments to Aparelhos que se renovam

  • Patrícia

    oie
    -> ocupado com a onda de calor, com a filha de….
    ;)

  • Giorgio

    Algumas perguntas para você, Juliana:

    1) Se o rapaz fosse loiro e pobre, o crime seria menor? Seria diferente, do ponto de vista moral?
    2) Se o rapaz fosse loiro e rico, o crime seria menor? Seria diferente, do ponto de vista moral?
    3) Se o rapaz fosse negro e rico, o crime seria menor? Seria diferente, do ponto de vista moral?

    Parece que você ficou muito impressionada com uma imagem do passado e quis projetá-la na realidade atual, onde ela não se encaixa mais. Mesmo porque, se alguém considerasse negros inferiores e quisesse torturá-los hoje em dia, por que recorreriam a exatamente os mesmos aparelhos daquela época? Amarrar em poste, açoitar com chicote? Esse requinte parece estar muito mais vivo na cabeça de esquerdistas do que de odiadores de, especificamente, negros — supostos ou reais.

  • O curioso é que quando li a notícia do rapaz, pensei no mesmo conto de Machado que li não faz nem um mês.
    É inadmissível que esse tipo de coisa aconteça todos os dias; e ainda tem gente que apóia os que chamam de “justiceiros” – inclusive há a polêmica Sheherazade. Sinto muito medo do que virá, das pessoas que pensam que essa coisa horrenda é justa.

  • Marcos

    Texto muito bom, análise magnificamente lúcida!

  • Ana

    Girogio,
    as perguntas são pra Juliana, mas vou dar meus pitacos. Se fosse loiro e rico, não seria confundido com um bandido, caso tenha sido uma confusão. E se fosse loiro e rico, teria bem menos chances de ser de fato bandido, ou você acha que se ele tivesse grana ia estar praticando pequenos assaltos? Poderia estar, isso sim, praticando grandes roubos, de colarinho branco. Esta é uma questão essencial.
    A outra questão essencial (ligada a essa) é a tortura, o linchamento, não o intrumento usado, que é metáfora.
    Não sei qual será a resposta da Juliana, mas esta é a minha.

  • Ana

    Ah, mais um detalhe: se fosse loiro e pobre, provavelmente apanharia igual, mas veja quantos loiros são pobres e quantos negros são pobres, por questões históricas de um país escravocrata que perpetua seu racismo.

  • Talita

    Eu e meu incorrigível defeito: querer espiar a caixa de comentários.
    Agora vou ficar pensando que texto o carinha aí de cima leu pra formular essas perguntas/conclusoes o.O

  • Giorgio

    Ana: mas aí você está mudando as regras do jogo. As perguntas que eu fiz foram justamente baseadas na hipótese de um loiro rico ser amarrado — se você faz questão de saber POR QUÊ, digamos que tenha sido por um problema pessoal com um grupo de pessoas vingativas. Não é difícil imaginar um motivo, vai. A pergunta se mantém: nesse caso, a situação é menos degradante, o crime é menos grave, a violação dos direitos humanos é menos tremenda?

    Sobre a questão essencial: você acha mesmo que se tivessem ateado fogo no moleque em vez de amarrar a um poste a analogia com a escravidão seria tão viva? É uma semelhança superficial, de imagem, e nada mais. Grave, mas nada a ver com escravidão.

    Sobre o detalhe: a quantidade de pobres no Brasil é muito, muito maior que a quantidade de negros — o cálculo é difícil por muitos motivos, por exemplo: a linha da pobreza no Brasil é demarcada entre quem ganha mais ou menos de R$70 mensais, mas é claro que muita gente que ganha mais do que isso ainda é bem pobre. Os negros no Brasil totalizam 6% da população. Dados oficiais, hein? Não sei dos loiros, mas sei que a maioria dos pobres no Brasil não tem como ser negra — nem que os 6% fossem todos pobres!

    Talita: o carinha aqui de baixo não leu nada com o objetivo direto de formular essas perguntas, mas claro que meu jeito de pensar é resultado de muitas leituras. Os demônios, de Dostoiévski, e Pais e filhos, de Turguêniev, são duas. Recomendo! :)

  • Carla

    Acho muita desonestidade intelectual considerar que quando se fala de negros no Brasil, refere-se a parcela de 6% da população que se auto-denonima negra sem mistura com outras cores. Ok, concordo que segundo os dados do IBGE ( se é isso que Giorgio usa como dado) a parcela auto-denominada negra é pequena. Mas ao contrário do que é dito nesse comentário, o racismo no Brasil é sim muito ligado aos gradientes da cor da pele e às características africanas. Então, você tem razão, Giorgio, a pobreza no Brasil não é só negra, é parda também (sabe, esse adjetivo feio para significar negros misturados a branco, mas no Brasil com a pele escura. Mas, claro que isso não tem nenhuma relação o legado de 3 séculos de escravidão, é apenas uma coincidência. Sugiro também minhas leituras, que tal começar por Machado de Assis!

  • Ana

    Giorgio,
    Seguem mais dados oficiais pra botar lenha na fogueira, mostrando negros e pardos como os mais ferrados do país:
    http://www.ipea.gov.br/retrato/pdf/primeiraedicao.pdf
    E convenhamos que no Brasil negros e pardos acabam entrando na categoria de senso comum “preto” e pronto, né?

  • Giorgio

    Carla: você me chama de desonesto, mas logo em seguida reconhece que o que eu disse é verdadeiro e oficial. Fica difícil. Se você prefere expandir o escopo social também para pardos para salvar o argumento, tudo bem, mas lembre-se de que aí o vínculo com a escravidão fica muito mais complicado, porque como você bem sabe, muitos de nós, mestiços, nos declaramos brancos ou somos vistos como brancos pela sociedade. E até hoje não vi ninguém sacar do bolso uma régua da negritude — um dos motivos para o IBGE optar pela autodeclaração. E o mais importante: os pobres não são só negros e pardos, mas também brancos em grande parte.

    Ana: eu não duvido de que negros e pardos, enquanto “raças” ou “classes de uma determinada cor” sejam os mais ferrados do país, e nem disse o contrário disso. Mas ainda que você queira julgar os ferrados do país pela categorização racial, haverá um número tremendo de brancos. E eu não convenho com o que você disse, não. Nem eu e nem ninguém que eu conheça, e nem na TV ou em revistas ou livros tenha visto, chamamos pardo de preto de maneira sistemática, não. Aliás, é mais comum o contrário, que chamem pretos de nomes “eufemísticos”, por medo de parecerem racistas.

    Fora isso, minhas perguntas continuam sem resposta por parte das senhoras.

  • Carla

    Caro Giorgio,
    Eu fiquei pensando como responder ao seu comentário, mas finalmente deu uma preguiça (Viva Macunaíma, né?!). Triste é ver alguém que cita a literatura russa como argumento, conhecer tão pouco da história do próprio país. Falar do lugar de privilégio e não reconhecer esse discurso é tão velho…Constatar o legado de marginalização, de pobreza e de invisibilidade social que a escravidão deixou, constatar o racismo existente na sociedade brasileira não implica que a razão disso tudo seja da responsabilidade dos “socialmente” brancos brasileiros de hoje. Franz Fanon sobre isso. Mas negar 300 anos de história no Brasil e imaginar que a abolição resolveu a divisão racial(aqui Viva a Princesa Isabel?) da sociedade brasileira sugerindo que o caso do rapaz negro no Rio aconteceria com um branco de olhos azuis (mesmo pobre) , aí é desonestidade intelectual mesmo…

    Fora isso, ocultei essencial: Juliana, seus textos ótimos como sempre…

  • thaís

    É assim mesmo Giorgio, vc fala uma coisa, respondem outra, como se vc não tivesse passado pelo ensino médio e esses argumentos n fossem batidos p caramba. hihih

  • Clara

    Giorgio, não sei que estatística você usa, mas o IBGE classifica como “negras” as pessoas que se autodeclaram pretas ou pardas, e elas são, segundo o instituto, 50% da população brasileira. Aliás, colocar sob o guarda-chuva da negritude os que se autointitulam pretos e pardos é uma prática comum entre os profissionais da demografia. Negros não são, portanto, apenas os que se intitulam pretos. E isso sem entrar no mérito de que a autodeclaração, embora seja a forma correta de se fazer estatística de etnia (não vejo outra forma mais justa do que essa), dá margem para o embranquecimento estatístico da população.

    Ainda, se consultarmos outros índices do IBGE, veremos que pretos e pardos (ou “negros”) estão em posição de desvantagem em uma série de indicadores socioeconômicos: renda per capita, escolaridade, saneamento básico etc. etc. etc., fatores estatisticamente utilizados para definir classe social no Brasil (ou, em outras palavras, quem é rico e quem é pobre).

    Por fim, acho que no Brasil se confunde muito preconceito racial com preconceito social. É óbvio que existem muitos brancos que são pobres. Mas o objetivo do texto da Juliana foi falar sobre racismo em confluência com a desigualdade social. Negros serão discriminados no Brasil não apenas porque são, muitas vezes, “pobres”, mas justamente porque são… negros. E o texto da Juliana, me parece, comenta justamente sobre como a desigualdade social, no Brasil, se interseciona à opressão racial de herança escravocrata.

    No mais, ainda não entendi em que ponto você quer chegar com essa discussão. Do que exatamente você discorda no texto?

    (Sobre minha primeira afirmação, aqui: http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=1798; e aqui: http://teen.ibge.gov.br/mao-na-roda/cor-ou-raca. As demais são de amplo conhecimento e você pode achar em dois segundos consultando o site do IBGE)

  • Muito interessante a análise e a analogia. As pessoas falam muita coisa sem pensar e sem avaliar os fatos com um mínimo de profundidade. Falar besteira é fácil, o difícil é falar com embasamento – principalmente nas redes sociais. Outra coisa, incrível o uso alternativo que as pessoas encontram para objetos cotidianos.

  • Bianca D'Aléssio

    Eu entendi ao que Giorgio quis se referir com seus questionamentos: haveria tanta revolta e pessoas ofendidas se ao invés de um negro fosse um loiro preso?

    Na minha opinião o racismo está enraizado e qualquer ato que se faça contra os negros é considerado racismo, e de fato provavelmente é! Os próprios negros são os mais racistas (na minha visão), prova disso é um país onde, sei lá, como disseram, 50% da população é negra e o resto descende deles, apenas 6% (está correto???) se intitulam negros…

    Acho que todas discussões são válidas desde que todos os pontos de vista sejam considerados. A partir do momento em que você começa a discutir para impor o apenas seu ponto de vista sem ponderar o resto, você já está errado e acaba causando uma atitude defensiva na outra pessoa, passando então a discussão a ser inútil pois todos vão embora com suas próprias opiniões!!!

    Mas isso é só o MEU ponto de vista…

  • Giorgio

    Carla: concordo com a thaís, parece que você não leu o que eu escrevi.

    Clara: mas aí a discussão é semântica; importa menos qual palavra cobre 6% e qual cobre 50% do que o ponto da conversa. Se errei na terminologia, aceito e agradeço a correção. Mas o ponto é que conforme incluímos na conta os mestiços, diminui a analogia superficial entre a imagem do garoto amarrado ao poste e a imagem de um escravo no pelourinho. E, respondendo a sua última pergunta, a minha objeção principal ao texto é justamente a ideia de que esse episódio é de alguma maneira resquício da escravidão. Que os negros, pretos e pardos hoje estejam por exemplo em condições de trabalho piores do que os brancos, isso é evidentemente resquício da escravidão, no sentido de que houve uma cadeia de causas que levou a essa conjuntura. A questão é que em quase qualquer caso grave de racismo, de chamarem de macaco, de jogarem banana em campo de futebol, de espancarem ou matarem negros, não se fala em escravidão jamais; se fala sempre em racismo, em crime racial e assim por diante — e corretamente. Por que se falar em escravidão justamente e exclusivamente nesse episódio? Minha aposta: porque ficaram atraídos por uma analogia imagética superficial. Mas eu duvido muito que a motivação ou a escolha metodológica dos “justiceiros” tenha a ver com escravidão, seja de propósito, porque acho que não teriam esse requinte, seja sem querer, porque acho mesmo que a motivação não tem sequer a ver com raça; tem a ver com crime. Eles tinham um criminoso nas mãos e tentaram dar uma lição nele.

  • Carla

    Desculpe, Giorgio, eu entendi exatamente o que você quis dizer e acho que foi você quem não entendeu meu comentário. Quais são as chances que um rapaz loiro de olhos azuis, mesmo pobre, tenha suas roupas tiradas, apanhe e depois nu seja preso a um poste com uma trava de bicicleta pelo pescoço? Chances mínimas, senão nulas porque o imaginário coletivo brasileiro não supõe que possamos tratar um homem branco de tal forma, mesmo pobre repito. Quando você fala que isso pode ser considerado racismo, mas não vê a ligação direta com a escravidão você demonstra conhecer mal a escravidão no Brasil. Podem me tachar de “antidemocrática” ou que eu não respeito seu ponto de vista, não me importo porque para mim é um total desconhecimento da escravidão não perceber esse elo. Você disse que o gesto dos justiceiros tem mais a ver com crime. Concordo em termos, mas se fosse só punir o crime uma surra teria sido o suficiente não é mesmo? Condenável, porque temos justiça para quê se os cidadãos se encontram no direito de julgar e punir uns aos outros. No entanto, eles quiseram sim afirmar que preto se trata assim, talvez inconscientemente porque o imaginário faz isso mesmo. Ele é insconsciente e por isso que tão difícil de defini-lo e reconhecê-lo. Por que, na sua opinião, associar o mestiço diminui a força do elo com a escravidão? Você acha que a escravidão só foi feita com escravos africanos, você acha que os mestiços não herdavam a condição servil dos seus pais (ou da mãe, no caso de pai branco)? Sabe que no tal conto que a Juliana citou no seu post, no final não conseguimos nem sentir raiva de Candinho, no final temos uma certa empatia porque ele não era um escravocrata convencido, nem defendia de maneira ferrenha uma postura escravocrata. Ele simplesmente estava inserido na lógica escravocrata. Então, quando você conhece um pouco mais da escravidão, você passa a perceber que não se trata de um sistema maniqueísta dos bons contra os maus. Trata-se de uma sistema pernicioso onde a ideia de que seres humanos de uma determinada características são inferiores e não têm nenhuma voz contra o respeito do seus próprios direitos civis. Eles são vendidos, torturados, mortos e punidos por uma justiça parcial baseada na tal característica (eu, branco, sou superior nesse sistema, logo tenho direito de definir o que é justiça contra o ser inferior, negro). Então, na minha opinião isso nunca aconteceria com um loiro de olhos azuis porque no imaginário brasileiro um branco tem direitos civis respeitados, no máximo o suposto olhos azuis levariam uns tapas. Quanto ao elo com a escravidão, as pinturas de Debret, de Rugendas pode te esclarecer o porquê desse elo natural. Não é a primeira vez em que vemos a imagem de um negro humilhado de tal modo, na verdade não é nada novo. Quanto a ser negro e “rico”, lembra do caso de Flavio Ferreira Sant’Anna, dentista e negro, morto pela PM em São Paulo em 2004. Ele foi confundido com um bandido. Ele tinha roupas de “rico”, carro de “rico”, diploma de “rico”, mas tinha a cor, né? Um branco no Brasil tem naturalmente o benefício da dúvida e mesmo quando é pego em delito flagrante…isso se não é a lógica da escravidão, o que é então?

  • Giorgio

    Carla: respeito sua convicção, mas ela não me convence apenas pela firmeza. Esses dias mesmo um rapaz branco foi amarrado a um poste; copycats dos primeiros “justiceiros”. Portanto, amarrar a poste não é coisa que façam só a negros. E esse é o primeiro golpe na associação desse primeiro crime à escravidão. E o caso desse Flavio Ferreira Sant’Anna citado por você depõe contra a própria associação que você defende, pois eis um negro que não foi amarrado a um poste, mas morto. Não conheço os detalhes do caso, mas trata-se de um possível crime racial. Mas relacionado à escravidão? Give me a break.

  • J. Torres

    “…trata-se de um possível crime racial. Mas relacionado à escravidão?”. Cara, você toma três séculos de senzala por um capítulo de livro didático? Minha avó, falecida ano passado, tinha grande apreço por sua mucama. Isso foi ontem e é claro que está relacionado. A conta nem começou a ser paga.

  • Giorgio

    J. Torres: mas o tipo de relação importa muito. Você pode estabelecer relação de qualquer coisa com qualquer coisa, mesmo que seja de oposição. Basta querer. A relação entre esse crime e a escravidão que você parece propor é: os antepassados do bandido eram negros. Bom, mas aí tem duas consequências. A primeira, menos importante, é que ele poderia ter sido incinerado que o caso seria igual. Mas nós já sabemos que isso é falso, sabemos que a raiz da comparação é uma analogia superficial entre um bandido preso num poste e um escravo preso num tronco. A segunda, mais importante, é que então todo crime contra negro é um crime relacionado à escravidão. Tem certeza de que você quer assumir essa tese?

  • Muito estiloso seu blog! Vou voltar mais vezes.

  • Independente de ser negro ou loiro dos olhos azuis, nós: civis, não podemos ser a polícia que bate e mata. A atitulde desses cerébros vazios de classe média é inadmissível a qualquer raça e há qualquer ser humano. Claro que, quando essa atrocidade acontece com um negro, o passado do nosso país grita: que absurdo, que país preconceitouso. Acho que esse vergonhoso fato acontecido no Rio se deve a falta de educação dos brasileiros, onde estes , na maioria e em se tratando da cidade do Rio são um bando de playboys com nada na cabeça e personalidade fraca com nada na cabeça, só com a preocupação em ter um corpão. Por essas e outras que quero dar o fora desse país de ignorantes o quanto antes. Para mim já deu isso aqui, quem quiser que acredite e fique nesse inferno de país de burros justiceiros arrogantes.

  • Danielle

    Olha, eu não sei bem se me faria entender, mas a minha análise disso tudo é completamente diferente da proposta no post e em seus comentários. Em minha humilde opinião, não se trata de negros ou brancos, amarelos, verdes ou pardos. Se trata do fato de que, para se estabelecer um Estado, as pessoas vêm naquela de que a lei do mais forte acabará matando todo mundo. E se confia numa autoridade geral e centralizada para garantia do mais básico dos requisitos de vida: segurança. Quando as pessoas veem que estão QUASE NO MESMO ESTADO DE SELVAGERIA DE ANTES, começa-se a questionar e mesmo agir em nome da tal autoridade que nada faz. Minha opinião é: a população abre mão da vingança privada e passa a titularidade punitiva ao Estado, que não sabe lhufas como aplicá-la. O correto é voltarmos à vingança privativa? Não. O certo é deixarmos a violência restabelecer os tempos do Bang-Bang? Não. O correto é as pessoas terem culhões de lutar por uma reforma Constitucional, mas ninguém se mexe. E quem se sente desprotegido põe as mãos na massa.

  • Julia

    Fiz uma análise sobre esse conto na faculdade, lá na UFBa. Eu critiquei a visão de Machado, assim como critico os tais justiceiros de hoje em dia. E olha que mudei um pouco a visão sobre algumas coisas de 2009 pra cá mas isso prova minha coerência em alguns aspectos. Ruy Espinheira não gostou muito mas eu fiquei com uma boa nota.

  • Rodrigo Biguá

    Enquanto isso, o “suposto assaltante” já foi até preso de novo… Quanta hipocrisia, quanta necessidade em dividir o mundo em pretos e brancos, “de esquerda” e “de direita”, coxinhas e “militantes do bem”, homens e mulheres;

    Menos sectarismo e coitadinismo, mais tolerância por favor. Vamos ouvir o próximo, refletir e ver o que se aproveita em termos de aprendizado e evolução ao invés de ficar reforçando nossas casamatas mentais onde sempre tem um “Giorgio” (ou “Tati Bernardi”, ou…) da vez para fazer o papel de inimigo branco capitalista opressor de direita contra quem qualquer falácia ou agressão serve como arma e argumento.

    Vibrações positivas para quem acredita que o mundo tem vários tons e pontos de vista.

  • Rodrigo Biguá

    E digo mais, esse mimimi de conta a pagar pela escravidão não leva em conta que a escravidão já existia na Africa antes do colonialismo e que havia negros lucrando muito com essa “industria” nos países exportadores. Quem tem que pagar essa conta é a humanidade, pois esse tipo de exploração dos mais fracos e vencidos se repetiu em várias sociedades, independente da cor de pele. Vamos lutar por uma sociedade mais justa, fraterna e produtiva ao invés de lutar por divisões, vinganças e reparações.

    Queria que me explicasse, por que um brasileiro descendente de imigrante italiano ou alemão tem que pagar essa fatura se seus antepassados só chegaram ao Brasil depois da abolição. É só porque são brancos, loiros e tem olhos azuis? Isso também não é racismo não? E os brancos que têm traços indígenas ou afro em seu DNA, de que forma vão ter algum desconto nessa conta?

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