A colunista que mais come mosca

A coluna escrita por Tati Bernardi hoje (e sempre) é a coluna de um homem, só que assinada por uma mulher. Esse é o papel dessa moça no jornal (e na sociedade): ela serve para veicular a opinião média masculina na voz de uma mulher, legitimando assim tudo que os homens pensam sobre as mulheres, sobre si mesmos, sobre o mundo. A coluna dela não faz sentido se analisada individualmente: ela compõe a base para que os colunistas homens brilhem, tanto os colunistas homens de direita, com seu machismo chic e refinado, cheio de referências intelectualizadas; quanto os colunistas homens de esquerda, com seu machismo cordial e “deixa disso”.

O leitor do jornal tem acesso à opinião dos colunistas de direita que acham que toda mulher é puta, à opinião dos colunistas de esquerda sempre queixosos de que a sensibilidade tenha mudado e já exista quem questione a pureza de intenções desses “homens que gostam de mulheres”, e à opinião de, veja só, um exemplar da raça que vem a público confirmar as expectativas de todos e dar a real sobre O Que São As Mulheres e o que Elas Pensam da Vida.

O que uma mulher como Tati ganha? Reconhecimento? Ser vista como igual pelos colunistas homens de direita ou de esquerda? Claro que não. Tudo que ela ganha é um certificado de que ela não é chata. Ela sim é uma mulher sincera e engraçadinha.

Chama atenção a insistência em chamar mulheres de chatas. Chata aparentemente é tudo que uma pessoa feita para o entretenimento não devia ser. Mas algumas (e cada vez mais) são, veja se o colunista de esquerda, aquele mesmo que ama as mulheres, não tem todas as razões do mundo para se afundar na melancolia.

36 comments to A colunista que mais come mosca

  • O que mais me desanima é ver que tem gente transformando a Bernardi em uma espécie de Martha Medeiros (em termos de redes sociais). Postam trechos dos textos e/ou comentários enaltecendo o bom trabalho das duas “autoras”. Ou seja, ela já conquistou status escrevendo merda. Todo mundo glorifica como se a cada coluna nova ela tivesse uma sacada genial. Detesto esse humor forçado, não me desce. E me desculpem, que escrita mais porca. 15 linhas de puro chorume.

  • Janaina

    Tive uma colega no colegial que era mais ou menos assim, compactuava com muita asneira para fazer a figura de “descolada bacanuda que é amiga de todos os meninos”, enaltecendo o valor de fazer parte do clube do bolinha e renegando as “frescurites” femininas. O caso dessa jornalista é mais grave, afinal a moça já é adulta e escreve (!!!!) para um grande jornal. Sinto vergonha por ela às vezes.

  • Danielle

    A garota do blog “Acidez Feminina é igualzinha. Ela passa a receita de que mulher tem mesmo que se foder porque é mulher! Se fôssemos iguais aos homens, não tivéssemos ciúmes, gostássemos de futebol e falar sobre, jogássemos video-games, se topássemos militar a favor do sexo anal etc, seríamos mais gente e, consequentemente, mais legais. Modelo perfeito de mulher. Pois eu sou CHATA com muito orgulho e se homem gosta de tudo isso, procure outro homem.

  • Como mulher amiga de homens, que de fato acha certas coisas supostamente femininas frescura, curte videogames etc., posso dizer: Tati Bernardes me envergonha. Ela assume o pior estereótipo de mulher modernete (poderia ser mulherzinha, tanto faz) em troca de — você disse bem — não ser chata, ficar bem na fita c’os homens. E sim, há homens que adoram mulher sem opinião ou com opinião domesticada, mas esses dois tipos se merecem.
    Minhas amigas e eu nos indispomos toda hora com caras por não sermos intelectualmente submissas como eles desejariam. Rolou ontem mesmo comigo: me pulou um sujeito no chat numa pilha de provar que sou burra, que não mereço qualquer reconhecimento intelectual que eu tenha conquistado. Quando pego no pulo, tentou me explicar como eram as coisas — porque, é claro, “eu não estava entendendo” — e, no fim das contas, queria que eu deixasse de ser “agressiva” com ele porque — oh! — ele me achava bonita! (É um desses por mês, pelo menos.)

  • E ela escreva livros pra adolescentes, não?

  • Vanessa Macedo

    “Tive uma colega no colegial que era mais ou menos assim, compactuava com muita asneira para fazer a figura de “descolada bacanuda que é amiga de todos os meninos”, enaltecendo o valor de fazer parte do clube do bolinha e renegando as “frescurites” femininas”

    Triste é perceber que eu fui essa pessoa…

  • Sobre o tema “compactuar com o clube do bolinha pra ser legal” recomendo muito este texto aqui: http://www.buzzfeed.com/annehelenpetersen/jennifer-lawrence-and-the-history-of-cool-girls

  • Joo

    Eu queria ser amiga de vcs, não dela.

  • A Tati não me representa. Mas venho tentando escrever para e sobre nós mulheres e, admito, é muito difícil. Simplesmente porque muitas de nós ainda não conseguiram definir que tipo de mulheres querem ser e assumir as consequência s por decidir. Gostaria de testemunhar mais mulheres colocando homens e -outras mulheres tb – babacas em seu devido lugar.Exigindo mais respeito, lutando por seus direitos, inclusive, de transar de primeira sem ser chamada de vagabunda pelas costas. Acho que para que Tati’s não ganhem tanto cartaz, precisamos de mais Marias, Vanessas, Fernandas, por inteiro.

  • Come mosca e bebe querosene, viu? A quem a Folha está devendo um favor tão grande pra manter essa criatura? E se não estiver devendo nada, então por que raios!? Lista de profissões que mais comem mulher? Isso lá é conteúdo? Imagino a cena: Tati Bernardi acordou num dia sem graça, fez o café, sentou na mesa e perguntou a si mesma: o que posso escrever pra ser o mais infantil e dissipadora de esteriótipos possível?

    Resumindo: affe.

  • Eric

    Se isso é ser chata, que mais mulheres sejam chatas então. O machismo deve estar tão introjetado nela que ela nem se dá conta. Ou pior se dá conta, mas quer quer posar, como você disse de “sincera e engraçadinha”. Tenho uma filha menina, de só 4 anos, mas já vi que as mulheres tem que ficar bem espertas nessa vida. Vai ser dureza orientá-la, há uma armadilha em cada esquina…

  • Juliana

    “Exigindo mais respeito, lutando por seus direitos, inclusive, de transar de primeira sem ser chamada de vagabunda pelas costas.”

    Pior é ser chamada de vagabunda pela frente, porque “deixou passar a mão no peito no primeiro encontro”.

    Sim, Luciana, as Tatis legitimam esse comportamento. E as Julianas e Lucianas que lidem com ele.

  • Diefo

    Pra mim pareceu que ela passou o rodo geral e do alto de sua experiência pôde listar 20 caras que se acham gostosões mas são descartáveis. Pra quem não conhece a fundo a Tati Bernardi (meu caso) acusar essa lista que ela fez de machismo é sem sentido

  • gustavo

    R E C A L Q U E

  • Jéssica

    O que não dá pra engolir é a Folha de S. Paulo ter publicado um texto desses. Isso é texto de revista pra adolescente, sem pauta madura, não do maior jornal do Brasil. E pensar que tem tanto blogueiro bom escrevendo coisa de conteúdo, e de graça. De fato, me faz pensar como estamos passando por uma total reinvenção de valores de conteúdo.

  • Silvia

    De onde saiu essa pessoa? Não tinha mais o que fazer? Ela psicografa o pensamento de algum macho alfa? Que vergonha. Se fosse um blog dela ainda dava para encarar, mas num jornalão como a Folha é um pouco demais.

  • Não a conhecia, mas pelo que li, não gostei!
    Bj e fk c Deus.
    Nana
    http://procurandoamigosvirtuais.blogspot.com.br/

  • michel

    Faltou o jogador de futebol, quer seja goleiro ou centroavante! É a que mais come disparado, inclusive as de esquerda.

  • Nunca gostei da Tati Bernardi e sempre levo com certa desconfiança as pessoas que citam coisas dela na internet. Diferentemente de Lispector e Caio, não gosto dela pq não gosto, e não pelo alto número de citações mutiladas nas redes sociais. E concordo com essa tua análise do conteúdo das colunas.
    Beijos!

  • Biby

    Gente, sabia que teria alguma coisa por aqui sobre essa publicação na Folha (oi?!)
    Não sei ainda como ela consegue publicar naquele jornal. Enfim…se vende é porque há público.

  • Me falavam muito dessa mulher. Daí fiquei sabendo que ela publicava na Alfa, Piauí e TPM. Comprei as três revistas e nada vi demais. Só uma tentativa frustrada de ser Martha Medeiros mesmo, como alguém disse acima.
    Sobre o “chata”, parece que tu escreveu para mim esse texto. Vou te marcar numa publicação lá no Face pra você entender. Beijos.

  • Tiago

    Não gostei também (minha profissão nao aparece na lista). Fora isso a Folha ganhou muitos pageviews.

  • Gabriela

    Antes desse texto das “Profissões que mais comem…blabla”, eu já tinha tremeliques ao ler texto e trechos de textos publicados nas redes sociais da Tati Bernardi. Ela não tem personalidade. Ela sempre quer surpreender pelo humor, tiradinhas e analogias cômicas em seus textos. Ela quer ser a Cláudia Tajes ou a Martha Medeiros. Mas, ela tá tão longe disso. Ela tem aquela fórmula de texto que quer prender mais pelas tiradas do que pelo conteúdo. Aliás, ela sabe o que significa CONTEÚDO?

  • Diego

    Você escreve muito bem e lê muito mal.

  • Fui atrás de saber quem era essa Tati Bernardi agora. Cheguei ao blog-página dela.
    De 3 textos, 2 falam de sexo dessa maneira meio “Tati Bernardi” de ser.

    Eu acho que ela acordou com bode de todos os caras pra quemd eu, e publicou esse texto na Folha.

    “Assim que eu pegava todos os garotos e homens e tios e estagiários e donos e sócios e criativos e atendimentos bonitos com os quais eu poderia ter algum envolvimento, automaticamente o lugar ficava insuportável pra mim.”
    http://www.tatibernardi.com.br/blog/post.jsp?idPost=116

  • Igor

    A mulher escreve bosta e a culpa é dos homens? Claro!

  • [...] e algumas repercussões é possível perceber que Tati Bernardi vem se esforçando para ser uma colunista #polêmica, como são vários colunistas polemiquinhos do mesmo jornal. Especialmente homens que se sentem a [...]

  • Carol

    Ju, tomara que seu sumiço daqui não tenha a ver com este texto, com a resposta que este texto gerou ou com dúvidas que você pode ter passado a ter sobre abordar ou não abordar esse assunto. Há muito tempo eu não lia a coluna dela, mas seu texto me despertou a curiosidade. E acho que vi, depois do seu texto, com muito mais clareza do que antes, essa nuance tão cortante do machismo. Obrigada por ter escrito. Me considero uma pessoa atenta a este tipo de agressão – mas acho que a atitude cool da colunista poderia ter camuflado pra sempre seu grau de alienação, se você não tivesse chamado a atenção. Brigada pela sua percepção fina e sua enorme capacidade de transmitir ideias. Continuemos a fazer nosso trabalho. Beijos.

  • Melina

    Podes crer!

  • e ela é comida por quem? gente como assim eu sou mulher e virei comida e ninguém me avisou? e os homens são canibais agora? sei-lá tanta coisa para falar no mundo e ela decide falar disso? se ela fizer uma lista de quantos traçaram ela seria mais interessante, se ela quer rebaixar alguém que seja ela, eu como mulher não acho legal ser diminuida dessa forma.
    E eu amei o título do post, aff eu aqui batalhando de sol a sol e frio também para ser reconhecida profissionalmente, enquanto existe gente sem noção ganhando mais que eu é triste isso.

  • Coluna de péssimo gosto. Ficou fácil publicar qualquer coisa na Folha.

  • Eu sou fã do modo livre como ela escreve ,mas admito que ela se exede em muitos exageros.

  • Estou com saudades de seus textos, pq parastes de escrever o blog, desistiu dele?

  • Sem comentários!!! Que ridículo!

  • Sabrina

    Volta Juliana!

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