Neolatinas

Ana Martins Marques tem esse poema bonito no último em que diz que: “Entre tantas coisas/ numa separação/ é também uma língua/ que se extingue”.

Extingue e não extingue, é o diabo da coisa. Digamos que um braço dessa língua se mostre menos dialetal do que desejávamos e vá se reeditando em cômica permanência feito uma língua do pê  inédita e indecifrável só pra quem é muito inédito e transparente no mundo. Outro dê em imitações descaradas feito um italiano do latim (os sons estão lá, os sentidos estão lá e somente porque o tempo passou e as bocas são outras, que se fecham e se abrem numa cadência levemente errada, alguém se atreve a chamar de nova). Essa outra língua, a derivada, você pode dar a sorte de puxar a corda para o mais diferente e ser, sei lá, um francês. Em geral, para quem ouvia a anterior, ela pode parecer um tanto paródiaca, feito um espanhol para alguns ouvidos brasileiros. Para quem dela se encontra nativo, no entanto, costuma parecer a evolução natural da coisa, que os falantes finalmente estão falando certo. Mas você está simplesmente errado e são todas muito parecidas quando você pega a grande árvore das línguas e olha todos os outros galhos que não percorreu por limitações variadas (das suas pernas, e não das línguas).

Achar que o deprimente está no fato de que a língua vai ou no fato de que fica só mostra em que ponto da espiral do amor você se encontra. Achar que não podia ter coisa mais boba mostra sua vocação para lecionar num desses cursos sobre como ser bem resolvido (mas nunca sobre linguagem, esse filão você deixa pra lá).

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