Sua única área de jurisdição

Se você é usuária do Pinterest, deve ter percebido que o mundo (ao menos em sua esfera “inspiracional”) agora se divide entre Kim Kardashians e basic bitches com espaço limitado para qualquer nuance entre as duas coisas. Parece que a moda — assim como todo o resto — está se encaminhando para dois extremos: ou o básico do básico, pelamordedeus perceba como sou básica e não me importo com nada, ou passei duas horas contornando a cara e tive que expulsar meu marido do apartamento pra montar um armário na sala.

Nada contra nenhuma das posturas, cada uma faz o que quer, seu corpo suas regras e mais e mais ele caminha mesmo para ser sua única área de jurisdição. Num contexto em que nem o presidente escolhemos, é bom concentrar no tipo certo de arroz. Talvez, no entanto, seja interessante se perguntar o porquê desses extremos e o que cada um deles significa no pequeno esquema das coisas. De um lado, a tendência Kim Kardashian parece ser uma reação a anos de discurso de “beleza natural”, de um “sem esforço” que na verdade demanda tanto ou mais esforço do que qualquer outro estilo, essa coisa de querer parecer que nascemos perfeitas, que foi de deus, fazer o quê. Talvez assumir o esforço, enfatizar o esforço, seja uma postura digamos que mais honesta e empoderada do que o antigo fiz nada não (ainda que a gente não deva nenhuma honestidade ao mundo na forma de um relatório do que fizemos na nossa própria cara).

As maquiagens gritam que foram maquiadas, as sobrancelhas se ufanam de uma simetria impossível, os corpos atestam todas as horas na academia — diferentemente do antigo corpo magro e sem músculos que, ao menos para uma parcela limitada e por um tempo limitado, podia ser obtido apenas com genética e com um não fazer (basicamente, não comer). Agora, não fazer não é o bastante, abrir mão não é o bastante e é preciso fazer muito para ter aquele corpo. Não é uma beleza estática, tanto no sentido de parada no tempo quanto de imóvel em si. É uma correria potencialmente eterna. É um corpo mais forte, menos infantilizado, menos vulnerável, mais caro, mais trabalhoso e mais factível de ser mantido numa idade acima dos quinze anos (só que menos possível de ser atingido sem uma quantidade de tempo e dinheiro cada vez mais expressiva. Não dá para saber se ele é mais ou menos democrático, isso nem se coloca. Aceitaremos os trintões e até os quarentões e cinquentões mais aguerridos elevando para isso o preço da brincadeira).

É um corpo mais rentável. A magreza fraca vendia os produtos a ela associados e talvez uns dietéticos, mas seu campo de exploração ficava restrito quando a lógica era justamente o se deixar definhar. Esse corpo também era mais claramente inacessível, era um tem ou não tem. O corpo atlético amplia a acessibilidade real e ilusória ao padrão, põe uma cenoura diante das pessoas mais velhas (e, portanto, com mais dinheiro) e exponencia a quantidade de produtos e procedimentos que podem ser vendidos para sua própria manutenção. Assim, ele passa a ser um elemento de distinção em si. Ter esse corpo já indica tanto tempo livre, tanto consumo que ele quase prescinde de marcadores vestuais de distinção.

Se o corpo padrão de antes lucrava sobretudo com a frustração de não se poder obter-lo, o novo padrão lucra justamente com o fato de que para um número mais expressivo de pessoas é sim possível obter aquele corpo, ainda que mediante muitos sacrifícios (que, longe de desestimular, valorizam sua obtenção e ajudam a organizar a vida do sujeito). Esse corpo “possível” é mais condizente com outros discursos contemporâneos como o do empreendedorismo, do esforço e também o da saúde e autoestima.

Até as cirurgias plásticas já não gostariam de não terem existido. Entre perfeito e natural (no sentido de factível), mais e mais escolhemos o perfeito. A maior parte dos procedimentos que as pessoas ainda percebem como desastrosos envolve botox e preenchimento. Acontece que esses procedimentos são temporários. Basta não refazer e num prazo entre seis meses a um ano o rosto volta a ser exatamente como era. Na verdade, não precisa nem esperar tudo isso: caso a pessoa não fique satisfeita, é possível injetar uma enzima que digere a substância e tudo volta ao normal no mesmo dia.

Isso significa que as pessoas que andam por aí exibindo rostos que a maior parte de nós ainda identifica como bizarros na verdade estão muito satisfeitas com o resultado. Você pode dizer que não ficou do seu agrado, mas chamar de mal sucedido parece autoritário (quando não soa a uma ojeriza mal disfarçada a mulheres que não “aceitam a velhice”). Os dentes clareados e ajustados na régua que antes pareciam bizarros hoje não são dignos de nota. Os corpos ultra malhados que na minha adolescência soavam até abjetos hoje são mainstream na firma (ou nos sonhos da firma). O mesmo deve acontecer com os preenchimentos. O natural muda, os parâmetros do que é um rosto normal e do que é exagero mudam. Como tendência atual, eles têm se ampliado. Isso, claro, ao menos no meu espectro de consumo cultural. Hoje em dia, assistir a qualquer filme que não seja brasileiro ou americano me dá a estranha sensação de que os atores parecem gente.

Faz uns meses que a piauí publicou um texto contra a cultura da academia e dos exercícios modernos que achei bastante interessante, embora muito feito contra o fenômeno, e não exatamente na tentativa de entendê-lo. É justo e o texto não engana: se chama Abaixo a academia. Só me fez pensar em outras coisas.

O autor fala de como a contagem (de calorias, medidas, pesos, quilômetros) é uma das características que mais diferenciam o exercício contemporâneo que fazemos numa academia de ginástica das práticas esportivas e do tipo de exercício a que nos entregávamos em outros tempos. Me parece acertado: a medição e o produtivismo escaparam do trabalho. Agora queremos medir por quantas horas exatamente dormimos e, mais do que isso, o quanto nos mexemos, quantas vezes levantamos para ir ao banheiro, quantas horas desse sono se passaram no estágio ideal. Um relacionamento qualquer pode ser avaliado em frequência (de sexo, de brigas, de saídas, de horas juntos ou de horas “de qualidade”, de quantidade de presentes ou de quantas vezes o outro conferiu o próprio celular).

A segunda coisa de que ele fala sobre a lógica contemporânea do exercício é que estamos tentando nos preservar. Que a percepção atual parece ser da vida enquanto gasto desse material chamado corpo. Ouvir música alta me tira a audição. Um jantar muito gostoso e umas drogas no fim de semana desgastam meus sentidos, minha saúde. Estamos, no fim, mesquinhamente nos economizando.

Não é tanto assim. A corrida me gasta os joelhos. A obsessão da proteína vai me deixar uma velha dura e com doença renal. Mas, para além disso, me parece que quem está se economizando e se administrando hoje não está fazendo isso em lugar de se entregar a prazeres ou a aventuras intensas. Talvez a questão fundamental seja que esses prazeres e aventuras pareçam indisponíveis ou esvaziados, incapazes de gerar o que pressupõe-se que gerariam, o que geravam antes. A alternativa à disciplina do corpo não parece ser o sexo desenfreado, as drogas, os jantares nababescos, as brigas de rua, mas o sofá com seriados e um pote de algo feito para enjoar em uma colher, mas que comeremos até o fim porque orna com o personagem. É correr parado numa esteira ou sentar parado no sofá. Quando a oposição é posta nesses termos, parece antes uma oposição entre angustiados e deprimidos do que entre mesquinhos auto economizadores e o resto de nós (porque quem fala assim sempre se coloca no outro grupo, é claro).

Talvez quem se resguarda esteja, na verdade, se incubando. Se eu me guardar por tempo o bastante, talvez eu viva outras coisas e não essas, e possa me gastar em outras coisas e não nessas. Feito um Dirceu na prisão, para fazer uma analogia que só vale para quem estiver com um outro Dirceu e com uma outra prisão na cabeça.

De modo geral e nesse caso específico, eu acho que a gente deposita sofrimentos prévios nas formas disponíveis. O sofrimento da mortalidade é posto no anseio da beleza. Que não é sequer uma beleza, mas uma vitalidade, uma rigidez ou um apagamento dos traços mais consagrados de velhice. Isso e a questão do espaço de jurisdição, que mais e mais se restringe literalmente ao meu corpo. É nele que eu mando e em nada mais. Ele, que inevitavelmente me fará doente e fraca, que inevitavelmente me deixará na mão, ainda assim parece ser a coisa mais concreta e sob controle que tenho. Se isso não te desespera, bem, você é forte.

E precisa ser. O corpo forte parece atestar sua independência e o quanto seu dono é capaz de se virar sozinho, de prover por si. Não parece coincidência que esse corpo seja o avatar escolhido para uma fase do jogo que tende ao cada um por si, em que as teias de proteção e solidariedade parecem frágeis e cheiram elas próprias a derrota.

O fato de os homens estarem na academia em número bastante proporcional ao de mulheres é um bom indicativo de que a questão não se resume à aparência. Embora os homens também sejam cada vez mais cobrados pela aparência, acho que essa cobrança e o ganho social que eles adquirem ao cuidarem do corpo ainda não é grande o bastante para justificar tantas horas investidas numa academia.

Acho que aí entra mais explicitamente o prazer específico do exercício e o prazer de controlar algo. Talvez entre também a questão da sociabilidade. Surpreendentemente para quem abomina esse tipo de lugar, a academia é um espaço privilegiado de sociabilidade para muita gente, acho que até mais para os homens, que de repente podem ter mais dificuldade em simplesmente requisitar a companhia dos amigos.

A lógica dos exercícios modernos é a rapidez: é preciso fazer tudo em curtos intervalos de tempo para que o músculo fique contraído e gere mais resultados. Essa rapidez também é útil para fazer os exercícios caberem na agenda das pessoas e, claro, para gerar maior fluxo de alunos e rentabilizar a academia. Acontece que muita, muita gente, especialmente homens, passam horas inúteis lá dentro. Conversando. Paquerando. Se arrastando de um equipamento ao outro. Levando o coleguinha para se exercitar junto. Eu acho que o que eles buscam ali é em grande parte sociabilidade.

Recentemente, li umas coisas sobre “body neutrality”. Eu mesma já pensei algo que se aproxima desse conceito. Não deveríamos buscar amar nossos corpos, sermos as rainhas da autoestima (porque é claro que isso é sempre para mulheres), mas termos com nossos corpos uma relação de neutralidade. Sou bonita, sou feia, gorda, magra, jovem ou velha, tanto faz. Meu corpo está em segundo plano e não me define. Exceto que eu fecho o Tumblr e o vejo definir como as pessoas me tratam, quais minhas chances no amor e até no trabalho. Desculpa, realidades, mas meu corpo me define e não posso ter uma relação de neutralidade com algo tão central no mundo em que vivo.

Os homens ainda conseguem essa neutralidade. Os homens não se acham todos bonitos nem acham todos os outros homens bonitos e nem as mulheres acham todos eles bonitos. É mais que a constatação de que não se é isso aí de bonito parece secundária em um mundo em que eles podem ser outras coisas. Esse mundo não está disponível para uma parcela considerável das mulheres e achar que construí-lo seja uma questão de postura pessoal diante do espelho, francamente. O discurso da autoestima é furado e levemente falso (tudo o que é muito contra questões fundamentais do nosso sistema de pensamento soa [e é] meio falso) e ainda assim parece mais promissor do que fingir que o corpo pode ser neutralizado quando ele é — numa repetição que apenas finge coesão — sua única área de jurisdição.

*basic bitch não significa isso que eu falei, mas sempre achei que devia significar. 

15 comentários sobre “Sua única área de jurisdição

  1. Ju, tudo bem?

    Parece meio chato e pedante, coisa de gente que não tem o que fazer, mas no seguinte tópico, não teria sido correto você usar “o porquê”?
    “Talvez, no entanto, seja interessante se perguntar o por que desses extremos e o que cada um deles significa no pequeno esquema das coisas. “

  2. “O discurso da autoestima é furado e levemente falso”. Isso é muito verdadeiro. Sempre que vejo as pessoas enaltecerem excessivamente outras que são escancaradamente não-bonitas, eu me pergunto qual das ditaduras é mais desgastante, se a da beleza ou a da autoestima. Sei que é clichê, mas de todas as contagens que vc cita, acho que nenhuma é mais sufocante e importante para esses agentes do que a da aceitação no instagram. Nada remete tanto à sensação de fracasso permanente quanto estar naquele lugar. É uma corrida onde não há linha de chegada. Porquinhos da Índia presos em rodinhas gigantinhas.

  3. Essa época parece mesmo que a gente tem que se enquadrar em algum grupo e tomar cuidado pra nenhum deslize te tirar de lá. Eu por exemplo faço academia, e se na academia não sou o padrão também em alguns meios quando comento que faço academia sei que vão me colocar no estereótipo da pessoa fútil, etc. E pra mim esse segundo grupo é pior porque é o das pessoas que se levam muito a sério

  4. mto foda o texto me fez pensar mto, voce tem que escrever mais em tempos de instagram faz falta ler algo bom

  5. apesar da respeitabilidade aparente do comentário, e alguma autocrítica, é absolutamente desrespeitoso, em meio a tantas possibilidades de discussão no texto, a pessoa elevar à categoria de relevância um mísero porquê. isso deve ser bem brochante para quem quer discutir ideias ou apenas expô-las. era mais digno comentar um “que texto topzera!”, do que essa pretensa gentileza. talvez se termos como mansplaining e gaslighting tivessem tradução e especificidades didáticas como o uso dos porquê, não meteríamos tanto os pés pelas mãos – ou não. enfim, não tornemos isso uma treta em looping infinito, é apenas um desabafo e, quem sabe, uma sugestão de possível tema para futuros textos.

  6. “O discurso da autoestima é furado e levemente falso”. No discurso da autoestima, só acho especialmente errado o motivo que botaram pra justificar o negócio de por que ter autoestima – que é “porque todo mundo é lindo, lindo do jeito que é, somos todos, todos lindos”. Ah, todo mundo? É apenas razoável supor que uma boa parcela de nós não tem grandes motivos pra se amar não, 95 percent of the population is undateable, etc. Mas, e daí?, o que é que pretende quem brada contra esse discurso?, a pessoa vai viver sofrendo, angustiada e tudo mais porque encara de frente o fato de que não somos todos lindos? ainda mais circulando num mundo que fala do feio na pegada mais asséptica, como algo inaceitável e vergonhoso até. Por isso, o negócio da autoestima deveria envolver, sim, algum tipo de apatia estoica: deveríamos buscar ser as ‘rainhas da autoestima’ precisamente a partir de cultivarmos a total indiferença em relação ao que somos – isso deveria envolver também, de algum modo, inteligência, a outra qualidade canônica, tb recebida em grande parte via loteria genética. Do tipo: tá, é isso que eu sou mesmo, melhor aceitar esse negócio e ser alguém que pensa noutra coisa. O corpo pode ser neutralizado sim, o ideal é mesmo cultivar uma autoestima “larguei mão”, que se retroalimenta – e se alguém conseguir ascender a isso tanto melhor pra essa pessoa.

  7. Aline, seu contraponto é interessante. Mas você não acha que essa retroalimentação de autoestima se torna insubstancial, e até nociva, quando a pessoa compara o que ouve com o concreto? Isso é meio como acreditar que é possível tratar pessoas em depressão com abraços.

    Não estou aqui defendendo a sinceridade infantil, nem questionando a existência de uma construção social bizarra que define o que é ou não bonito. Mas até que ponto a pessoa que convive consigo própria 24h por dia realmente não questiona que, apesar dos migos dizerem o quanto ela é maravilhosa e linda, quase sempre escolhem pessoas que em nada são parecidas com ela? Até que ponto essa necessidade de levantar a autoestima não acaba sendo uma overdose de prozac?

    É exatamente o que fazem com a felicidade. Você tem que ser feliz, você tem que ser feliz, meu deus, não sou feliz, deve ter algo de errado comigo. Será que aceitar-se e viver com isso realmente tem a ver com o culto à autoestima ou tem a ver com a autoanálise? Será que temos que forçar uma mudança psíquica no espelho ou olhar o espelho com mais profundidade? Abraços

  8. Costumava contar os quilometros, quilogramas, meses de término, meses de namoro e saídas durante a semana. Acontece que depois de um período especialmente intenso de mensurações eu meio que joguei essas coisas pra cima e não consigo mais me importar com nada. Parece bom, mas é péssimo. Perdi o senso de objetivo e me sinto perdida. É aquela parada da Clarice: nunca se sabe qual defeito impede a gente de desmonoronar.

  9. Suas palavras sobre body neutrality foi a coisa mais sensata que li sobre a expressão até o momento. Obrigada!

  10. Adorei o texto, pensei muito. Quando você diz que “O discurso da autoestima é furado e levemente falso” (trecho preferido da galera, pelo que vi), você toca em algo que eu sentia e não sabia explicar. Pq eu sigo musas fitness e também gordinhas empoderadas. E tanto nas moças malhadas tirando foto de costas, quanto na outra sentada com a barriga dobrada, me gera um incômodo. Pq por mais que eu me sinta bonita, ache meu corpo ok e tudo mais, não tô afim que me vejam com a barriga dobrada numa rede social, e acho que também não postaria o bumbum malhado, mesmo que fosse o caso. Então quer dizer que eu não me amo? É um Fla x Flu que não termina nunca.

    E sobre as medidas, regras e tal. Acho que tudo vem daquele desejo de controle mesmo. Você come menos e emagrece. É aquele ganho pessoal, foi uma vitória passar por todas as vontades e fechar o botão da calça. Pode ganhar pouco, trabalhar muito, morar mal, mas essa vitória do botão fechando ninguém tira.

  11. Esse texto foi algo tão cheio de novas informações para novos pensamentos que eu ainda estou absorvendo tudo enquanto escrevo. Possivelmente terei que reler alguns trechos novamente. E se não bastasse, ainda resolvi ler os comentários e algumas observações me fizeram perceber que eu já teria que começar a refletir e repensar acerca das novidades que mal foram processadas ainda. Rsrs. Não me julgo tão leiga quanto talvez soe, mas ler esse texto me trouxe bons entendimentos e deu vontade de escrever.
    Acompanharei…

  12. Ainda estou digerindo o texto, mas por enquanto tem algo que acho que você esqueceu de pôr na conta, Ju: a homossexualidade masculina. Claro que mulheres heterossexuais, como eu e você, já temos coisa demais para nos lembrarmos disso.

    Fato é que eu lembrei porque entre todos os meus amigos, os que mais frequentam às academias, mais investem na aparência e etc, são meus amigos homens e gays. Homens cis, metrossexuais. É interessante também que aqueles que não se vêem exatamente como homens (em acordo com a construção social de um homem) se distanciam mais dessa busca pela aparência perfeita. Enfim, só acho isso relevante porque se formos falar da cobrança da aparência nos homens precisaremos confrontar a revolução dos aplicativos de paquera e das redes sociais e isso, inevitavelmente, cairá no mundo gay.

  13. Verdade, tem isso de que o padrão cobrado dos gays costuma ser mais elevado. Mas acho que o percentual de homens heterossexuais nas academias é bem expressivo, de todo modo.

  14. O culto ao corpo não é mais prevalente entre gays. É o tal do framing: uma parcela menor da população acaba reproduzindo e ampliando os preconceitos da sociedade em geral, tal como uma lupa.

    Auto-estima e baixa auto-estima são os nomes seculares daquele pecado capital que agora é virtude, a vaidade. Tanto pensar quanto não pensar em si são formas de vaidade. Quando você não se vê com os olhos dos outros, o “body neutrality” faz sentido, sem contar que um sistema de crenças saudável vai, naturalmente, impedi-lo de se auto-sabotar.

  15. Bom demais te ler, Ju! Gostei da reflexão e do humor!
    PS: Concordo com Vagner em seu primeiro comentàrio.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *